A experiência como marca e fonte do saber na fé Pentecostal
um breve estudo histórico-teológico
Palavras-chave:
Experiência religiosa; pentecostalismo; teologia prática; hermenêutica da experiência.Resumo
Este artigo investiga a experiência como marca identitária e fonte de saber na fé pentecostal, por meio da análise histórico-teológica pentecostal, relatos de glossolalia, cura e êxtase como validação prática da doutrina. A partir de um fragmento temático de tese (2020), argumenta-se que a espiritualidade pentecostal articula valores implícitos: experiência individual, verbalismo, espontaneidade, sobrenaturalidade e biblicismo. Esses valores estruturam um habitus devocional no qual a experiência do Espírito atua como hermenêutica vivida do texto bíblico. Em diálogo com aportes de Jürgen Moltmann, Clodovis Boff, Edward Thompson, Kenner Terra, David Mesquiati e Gedeon Alencar, o estudo mostra como testemunhos publicados (p. ex., curas narradas por fiéis) operam como teologia prática e “catecismo experiencial”, convertendo o vivido em critério de verdade e em capital simbólico para coesão de fé para comunidade pentecostal. Conclui-se que, desde os primórdios da fé pentecostal, a experiência não é mero adendo devocional, mas dispositivo epistêmico que organiza crença, ética e pertença, oferecendo chaves metodológicas para investigar o êxtase religioso em perspectiva histórico-teológica.
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