A organização do sistema punitivo do Brasil na mudança de regime e as discussões sobre a criminalização do Espiritismo entre os magistrados

the 'indigenous crime' at the end of the 1800s

Autores

  • Adriana Gomes UERJ

Palavras-chave:

João Baptista Pereira;, História do Direito;, Crime indígena;, Artigo 157;, judicialização do Espiritismo.

Resumo

discutiremos neste artigo o decurso da elaboração do Código Penal de 1890 desde as discussões iniciais para a substituição do Código Criminal de 1830, perpassando por sua promulgação no Governo Provisório republicano até a receptividade entre os magistrados. Ao longo de toda a nossa análise, daremos destaque ao Artigo 157 das leis punitivas de 1890 por ele ter criminalizado o Espiritismo. Mediante a análise de fontes históricas, discutiremos como foi organizado o anteprojeto de 1889 escrito por João Vieira de Araújo para substituir o Código Criminal de 1830 e a refutação desse anteprojeto; a produção do Código Penal de 1890 por João Baptista Pereira e a ausência de receptividade das novas leis penais entre os profissionais do Direito; a tentativa de substituição do sistema punitivo em um novo anteprojeto de Vieira de Araújo em 1897; o posicionamento da Ordem dos Advogados Brasileiros com a participação de Baptista Pereira; as considerações do legislador do Código Penal em defesa de seu trabalho; e a nova tentativa de substituição do Código Penal de 1890 por Galdino Siqueira em 1913.

DOi.png https://doi.org/10.29327/256659.14.1-9

 

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Biografia do Autor

Adriana Gomes, UERJ

Doutora em História Politica (UERJ) e Professora SEEDUC/RJ

Referências

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Publicado

20-06-2023

Como Citar

Gomes, A. (2023). A organização do sistema punitivo do Brasil na mudança de regime e as discussões sobre a criminalização do Espiritismo entre os magistrados: the ’indigenous crime’ at the end of the 1800s. PLURA, Revista De Estudos De Religião PLURA, Journal for the Study of Religion, 14(1), 195–220. Recuperado de https://revistaplura.emnuvens.com.br/plura/article/view/2128

Edição

Seção

Religião, política e espaço público