O monstruoso no monasticismo primitivo
Santo Antão e Evágrio Pôntico
Palavras-chave:
teoria do monstruoso, monasticismo, demôniosResumo
O artigo analisa a presença do monstruoso na literatura do monasticismo cristão do século IV, a partir da Vida de Santo Antão, de Atanásio, e do tratado Sobre os Oito Pensamentos, de Evágrio Pôntico. Mobilizando a teoria do monstruoso como operador cultural e simbólico, o estudo mostra como as figuras demoníacas, híbridas e teriomórficas funcionam como dispositivos de desestabilização das fronteiras entre humano, animal, divino e demoníaco. Em Antão, o monstruoso articula-se sobretudo à espacialidade liminar do deserto, dos túmulos e da ascese corporal; em Evágrio, desloca-se para o plano psíquico, assumindo a forma de imagens que configuram os pensamentos passionais. Argumenta-se que o enfrentamento do monstruoso constitui uma pedagogia ascética fundamental para a constituição do sujeito monástico e para a compreensão das crises culturais do cristianismo antigo.
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