Victor, o Deus Falho
pecado original, solidão e a crise da criação em Frankenstein e no Gênesis
Palavras-chave:
Frankenstein, Gênesis, Criador e Criatura, Responsabilidade ética, Mito da criaçãoResumo
Este artigo analisa a obra Frankenstein, de Mary Shelley, sob a ótica de um "mito da criação invertido", estabelecendo um paralelo crítico com o livro do Gênesis. A tese central propõe que o drama entre Victor Frankenstein e sua criatura representa uma releitura profana da relação entre Deus e Adão, na qual Victor assume o papel de um "Deus Falho" por sua irresponsabilidade ética, enquanto a Criatura torna-se o "Adão Rejeitado". Através de uma análise qualitativa e bibliográfica, discute-se como a negação do cuidado paterno e a ausência de uma identidade (nome) configuram o verdadeiro "Pecado Original" na narrativa. O estudo explora, ainda, a crise da solidão do monstro, relacionando o pedido por uma companheira ao Gênesis 2:18 e à falha da ciência moderna em lidar com o desejo e a subjetividade humana. Conclui-se que o verdadeiro monstro da narrativa não é o ser biológico, mas a negligência moral do criador, refletindo sobre a responsabilidade ética inerente ao poder criativo e científico.
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