Coroa, igreja e ciência
a alternância da dinâmica administrativa da Coroa Portuguesa nos sertões do Piauí do século XVIII
Palavras-chave:
Coroa Portuguesa; Capitania do Piauí; Igreja Diocesana; Ciência.Resumo
durante o século XVIII, a Coroa portuguesa incorporou uma lógica de produção de conhecimento atrelada ao ideal iluminista e, a partir dessa lógica, executou a administração de seus territórios coloniais. Essa dinâmica global foi observada no contexto local desde a criação da Capitania do Piauí. Contudo, em período anterior, a participação dos bispos já tinha se firmado de modo relevante no processo de conquista e de construção do território colonial piauiense. O exemplo mais evidente desse fato destaca a atuação de D. Frei Manuel da Cruz, responsável por prover a maioria das freguesias do território, além de estabelecer contato direto com as populações quando realizava visitas pastorais pelos sertões, coletando o máximo de informações acerca dos lugares por onde passava. O exemplo citado demonstra de que modo a Igreja era utilizada pela administração portuguesa para realizar esse tipo de trabalho. Todavia, essa dinâmica se alterou quando Portugal resolveu entrar na rede de produção da ciência e do conhecimento, construindo um tipo de administração régia mais ilustrada. Assim, o presente artigo tem como objetivo demonstrar como a alternância de postura administrativa ocorreu no território leste do Estado do Maranhão e Grão-Pará, e passou a ser executada quando, em 1758, o rei D. José I resolveu criar a Capitania do Piauí. Com isso, a Coroa utilizou o conhecimento adquirido para construir vilas, delimitar fronteiras, elaborar um conhecimento cartográfico da região, conhecer a natureza e dispor da posição do bispado do Maranhão atrelado à lógica de Estado.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Gabriela Berthou de. “Estas são plantas indígenas”: circulação de saberes sobre a flora na viagem filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. (1783-1792). Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, V.50, n.1, p.1-17, jan-dez, 2024.
ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. Porto: A Afrontamento. 1984.
ARAÚJO, Pedrina Nunes. DIOCESE NO SERTÃO: a colonização espiritual do Piauí Amazônico - freguesias, capelas e justiça eclesiástica no século XVIII / Orienta-dor(a): Pollyanna Gouveia Mendonça Muniz. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-graduação em História/cch, Universidade Federal do Maranhão, São Luis, 2023.278 f.
ASSIS, Nívia Paula Dias. A capitania de São José do Piauí na racionalidade espacial pombalina (1750-1777). Natal- RN, 2012. Dissertação defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Orientadora: Drª Fátima Martins Lopes .
BICALHO, Fernanda, MONTEIRO, Nuno Gonçalo. As instituições civis da monarquia portu-guesa na Idade Moderna: centro e periferia do império. In: (Org) XAVIER, Ângela Barreto, PALOMO, Federico, STUMPF, Roberta. Monarquias Ibéricas em Perspectiva Compa-rada (Sécs. XVI- XVIII) – Dinâmicas imperiais e circulação de modelos administrativos. Lisboa, ICS, 2017, p.211.
BOXER, Charles. A Igreja Militante e a expansão Ibérica: 1440 -1770. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
DORNELLES, Soraia, MUNIZ, Pollyanna Gouveia. AS VILAS QUE NÃO SE CONCRETIZARAM: DINÂMICAS DE OCUPAÇÃO DO ESPAÇO NA AMAZÔNIA PORTUGUESA (MARANHÃO, 1755). Revista Tempos Históricos • Vol. 28, n. 2 (2024) • e-ISSN: 1983-1463 DOI: https://doi.org/10.36449/rth.v28i2.33413
DOMINGUES, Ângela, MELO, Patrícia Alves. Iluminismo no mundo luso-brasileiro: um olhar sobre a Viagem Filosófica à Amazónia, 1783-1792. Ler História. Nº78, 2021. https://doi.org/10.4000/lerhistoria.7879
Clifford Geertz. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, ZAHAR editores, 1978
FEITLER, Bruno. Quando chegou o Trento ao Brasil? In: O Concílio de Trento em Portu-gal e nas suas conquistas: Olhares novos. Lisboa, CHAMS,2012
MACHADO, Maria Helena Pereira Toledo. PRATT, Mary Louise. Os Olhos do Império. Relatos de viagem e transculturação. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 20, nº 39, p. 281-289. 2000
MELO, Vanice Siqueira. Cruentas Guerras: Índios e portugueses nos sertões do Maranhão e Piauí (primeira metade do século XVIII). Curitiba: Editora Prisma, 2017.
PAIVA, José Pedro. Os bispos de Portugal e do Império (1495-1777). Coimbra: IUC, 2006,
RAJ, Kapil. Conexões, cruzamentos, circulação. Cultura [Online], Vol. 24 | 2007, posto onli-ne no dia 10 outubro 2013, consultado a 19 abril 2019. URL: http://journals.openedition.org/cultura/877; DOI: 10.4000/cultura.877. p. 155-179
KURY, Lorelai. Homens de ciências no Brasil: impérios coloniais e circulação de informações (1780-1818). História, ciência, saúde – Manguinhos, vol.11(suplemento 1): 109-29,2004.
ROLAND, Samir Lola. As antigas fazendas jesuíticas: O transporte e a venda de gado dos ser-tões do Piauí para a feira de Capuame, Bahia (1769-1789). SAECULUM - Revista de His-tória [v.28,n.49], João Pessoa, p. 245-262, jul/dez.2023, ISSNe 2317-6725
SANTANA, Messias dos Santos, GOMES, Neiliane Coelho. TOPONÍMIA DE ORIGEM TUPI NO PIAUÍ NO SÉCULO XVIII: UMA DESCRIÇÃO A PARTIR DA CARTA GEOGRAFICA DA CAPITANIA DO PIAUHI, E PARTE DAS ADJACENTES, DE GALLUZZI, 1761. Revista de Letras Nor-te@mentos Dossiê Temático: Onomástica, Sinop, v. 15, n. 40, p.129-145, out. 2022.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).